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Religiões antigas·3 min de leitura

Os deuses primitivos

Capa do texto “Os deuses primitivos”

Os deuses primitivos

A mais antiga menção a um deus que conhecemos é na Alegoria de Gilgamesh. O texto foi escrito em escrita cuneiforme, em tabletes de argila, na Mesopotâmia, entre os séculos XXI e XVIII a.C.

A história conta que Enkidu foi enviado pelos deuses para confrontar Gilgamesh, o rei da cidade-estado suméria de Uruk, que era conhecido por sua força, ambição e arrogância. No entanto, Enkidu e Gilgamesh ficaram amigos, e os deuses mataram Enkidu. Gilgamesh ficou atormentado pela mortalidade, e partiu em uma jornada perigosa para encontrar Utnapishtim, o único mortal que havia alcançado a imortalidade. Gilgamesh não encontrou a imortalidade, e teve que enfrentar a realidade da mortalidade e refletir sobre o significado de sua própria existência.

Os deuses que são os mencionados nos textos sumérios, são Anu, deus do céu; Enlil, deus da tempestade e do ar; Enki, deus da água, sabedoria, magia e criação; Nanna, deus da lua; Inanna ou Ishtar, deusa do amor, da guerra, da fertilidade e do sexo; Ereshkigal, deusa do submundo; entre outros. A Lista Real Suméria (Sumerian King List), um documento escrito em sumério que combina história, mitologia e propaganda política, registra os nomes de reis que teriam governado as cidades-estados da Suméria, no sul da Mesopotâmia (atualmente sul do Iraque), desde tempos anteriores ao dilúvio até o período histórico, incluindo nomes de reis que mais tarde foram deificados, como Lipit-Ishtar, rei de Isin. No entanto, mesmo antes da invenção da escrita, já havia indícios de crenças religiosas e figuras divinas. Um exemplo é o Homem-Leão de Stadel, uma escultura datada de aproximadamente 35 a 40 mil anos atrás, que possivelmente servia como objeto de culto e pode representar uma das mais antigas expressões simbólicas de um ser divino ou espiritual.

A segunda aparição de deus é na Teogonia de Hesíodo, um poema épico grego que narra a origem do mundo, dos deuses e da humanidade. Foi escrito no período pré-filosófico, no século VIII a.C. Nele, deus é o Caos. Dele nascem Gaia, a Terra, Eros, o Amor, Tártaro, o Abismo, Érebo, as Trevas e Nyx, a Noite. Gaia passa a ser a ideia de segurança, o fim do Caos.

Ouranos era um dos deuses primordiais, surgindo diretamente de Caos. Ele era a personificação do Céu e controlava as tempestades, o trovão e o clima. Ouranos, um amante voraz, acasala com Gaia e a engravida várias vezes. No entanto, Gaia não pode parir, visto que Ouranos não para de emparelhar. Gaia incita seu filho Kronos, o último a ser gerado no ventre de Gaia, a se rebelar contra Ouranos que castra seu pai com uma foice de obsidiana. O Céu (Ouranos) se desprega de Gaia (Terra). Gaia então procria os Titãs, os Ciclopes e os Hecatônquiros, seres de grande poder e tamanho. Kronos passa a governar com sua irmã Rhea, e juntos eles geram os deuses do Olimpo: Zeus, Poseidon, Hades, Hera, Deméter e Héstia. Temendo de que um de seus filhos o destronaria, Kronos engole seus filhos. Rhea, a irmã, esconde Zeus, o último filho, em Creta. Uma grande guerra irrompe entre os Titãs (Kronos e os seus irmãos) e os Olimpianos (Zeus e os seus irmãos). Zeus, com a ajuda dos Hecatônquiros e dos Ciclopes, derrota os Titãs, que estão confinados no Tártaro. Zeus torna-se rei do Olimpo e reordena o cosmos. O poema termina com a genealogia de Zeus, descrevendo a origem dos deuses menores e da humanidade.