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e Espiritualidade
Religiões antigas·6 min de leitura

O panteão dos deuses gregos

Capa do texto “O panteão dos deuses gregos”

Estatueta de bronze de Apolo, filho de Zeus e Leto, 500 a.C., The Metropolitan Museum of Art, New York

O panteão dos deuses gregos

A civilização grega se estendeu desde cerca de 2000 a.C., no período pré-homérico, até 146 a.C., no período helenístico. Na Grécia antiga aproximar-se da verdade significava aproximar-se dos deuses, e os reis também exerciam funções sacerdotais.

O conceito de divindade variava de região para região, mas era comum o reconhecimento dos doze deuses do Olimpo: Zeus, Hera, Poseidon, Apolo, Ártemis, Afrodite, Ares, Hefesto, Atena, Hermes, Deméter, Héstia e Dionísio, além de diversos outros deuses e heróis considerados inferiores.

Durante a época das pólis, entre 800 e 500 a.C., a Grécia não constituía um Estado unificado, mas sim um conjunto de cidades-Estados independentes, cada uma com cultos e ritos próprios. Apesar disso, compartilhavam algumas práticas religiosas em comum, como as grandes festas. Não existia um sistema de crenças estruturado e homogêneo, praticado por todos os gregos, mas havia uma forte valorização dos rituais, considerados essenciais para garantir a sorte e a proteção dos humanos. Os ritos, geralmente realizados ao redor de altares de sacrifício, eram acompanhados por músicas, cânticos, jogos e competições. As relações de poder estavam no cerne da religiosidade grega e se manifestavam também nos rituais. A religião grega era composta por princípios míticos destinados a explicar a origem do universo, e a vivência espiritual baseava-se em crenças formuladas a partir de fenômenos que o homem não conseguia compreender.

O início do cosmos teria ocorrido com o surgimento espontâneo do Caos, o deus primordial, seguido de Gaia, do deus inferior Tártaro e de Eros, a força que possibilitava a união entre os seres. A religião na Grécia Antiga estava profundamente ligada a todos os aspectos da vida, tanto sociais quanto políticos, cumprindo um papel coletivo e individual. A palavra grega hierós, que significa “sagrado”, pode ser traduzida como “aquilo que não se pode tocar”, e o sagrado era concebido quando o homem se deparava com forças que transcendiam a realidade sensível, permitindo-lhe distinguir entre o mundo terreno e o transcendente.

No século V a.C., após o fim das guerras entre gregos e persas, o governante Péricles promoveu a reconstrução dos templos destruídos durante os conflitos. Em Atenas, foram erguidos monumentos grandiosos como o Partenon, o Erecteion, o Propileu e o templo de Atena Niké. Os templos não eram locais de reunião para os fiéis, mas espaços restritos aos sacerdotes, destinados a abrigar a estátua do deus cultuado, visível apenas do exterior pelos adoradores. O culto religioso propriamente dito, como as cerimônias de sacrifício, ocorria geralmente ao ar livre, em locais elevados e isolados, reforçando o caráter simbólico e sagrado dessas práticas na vida grega.

O culto a Zeus

O principal centro de culto ao deus Zeus, para onde todos os gregos se dirigiam quando desejavam prestar homenagem ao seu principal deus, era Olímpia. Na cidade havia um altar dedicado a Zeus, feito de cinzas provenientes dos restos de sacrifícios animais realizados ali ao longo do tempo. Fora dos santuários localizados nas principais pólis, não existia uma forma única ou padronizada de culto a Zeus compartilhada por todo o mundo grego; entretanto, os rituais eram semelhantes, consistindo geralmente no sacrifício de um animal de cor branca sobre um altar elevado.

Os gregos eram unânimes em reconhecer a ilha de Creta como o local de nascimento de Zeus. Nessa ilha, o deus era venerado em diversas cavernas. Durante o período helenístico – compreendido entre a morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C., e a anexação da península grega e das ilhas por Roma, em 146 a.C., período caracterizado pela difusão da civilização grega desde o Mediterrâneo oriental até a Ásia Central – foi fundado um pequeno santuário dedicado a Zeus Velcano nas proximidades da cidade de Hagia Triada, localizada na parte centro-sul de Creta, sobre as ruínas de um antigo palácio minoico de Festo. Na arte cretense, Zeus era representado como um jovem de cabelos longos, diferentemente do restante da Grécia, onde era retratado como um adulto maduro.

A designação de Zeus Liceu (“Zeus lobo”) era atribuída apenas quando o deus estava associado ao antigo festival das Liceias, realizado na localidade de Liceia, nas encostas do monte Liceu, na região da Arcádia. Diversas cidades gregas também prestavam homenagem a versões locais de Zeus, consideradas manifestações do deus que viviam sob a terra, como Zeus Catactônio (“sob a terra”), Zeus Plúteo (“trazedor de riquezas”) e Zeus Trofônio (“aquele que nutre”).

Embora a maior parte dos oráculos gregos fosse dedicada a Apolo ou a diversas deusas, como Têmis, alguns eram consagrados a Zeus. O mais antigo e célebre entre eles era o de Dodona, no Epiro, onde há evidências de práticas religiosas desde o segundo milênio a.C. Nesse local, o culto estava centrado em um carvalho sagrado. Quando o poema Odisseia, atribuído a Homero, foi composto por volta de 750 a.C., a adivinhação em Dodona era feita por sacerdotes descalços que interpretavam os sons e movimentos das folhas e galhos do carvalho ao vento. Séculos depois, conforme relata Heródoto (485-425 a.C.), as antigas práticas foram substituídas por sacerdotisas conhecidas como plêiades (“pombas”), que assumiram o papel dos antigos sacerdotes.

Em Dodona, a consorte de Zeus não era Hera, mas Dione, uma deusa cujo nome é a forma feminina de “Zeus”. Outro oráculo importante era o de Ámon, localizado no oásis de Siuá, na região do deserto da Líbia, no Egito. Embora esse oráculo não estivesse originalmente dentro dos limites do mundo grego, já fazia parte do imaginário helênico desde o período arcaico. Heródoto menciona que o oráculo de Zeus Ámon era especialmente cultuado na cidade de Esparta, e mais tarde seria visitado por Alexandre, o Grande, que ali buscou confirmação de sua origem divina.

O culto a Apolo

Apolo era adorado como deus do Sol e responsável pelas terras agrícolas germinadas, sendo comum que as regiões da Grécia Antiga dedicassem a ele as primeiras colheitas da estação. Além disso, exercia a função de proteger rebanhos de animais, atuando como deus pastoral, e protegia os gregos de enfermidades, razão pela qual era considerado deus de pragas e doenças, embora os gregos tivessem outro deus da medicina, Asclépio, filho de Apolo. A ele também se atribuía o poder da adivinhação dos oráculos, e seu nome era reverenciado em vários santuários ao redor da Grécia, destacando-se especialmente os oráculos de Delfos e de Delos. Acredita-se que o templo dedicado a Apolo em Delfos tenha surgido por volta de 650 a.C., enquanto o templo de Delos teria sido fundado por volta de 700 a.C. Delfos tornou-se um centro de culto após Apolo matar a serpente Píton e consagrar no local um móvel de três pés, utilizado pela sacerdotisa Pítia para realizar previsões.