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REReflexões
e Espiritualidade
Judaísmo e Bíblia hebraica·Antigo Testamento·5 min de leitura

O dilúvio bíblico

O mito do dilúvio é uma narrativa em que uma grande inundação, quase sempre enviada por uma ou várias divindades, destrói a humanidade, muitas vezes em um ato de retribuição. A água é descrita como uma medida de limpeza ou purificação da humanidade, em preparação para o renascimento.

As histórias de inundação da Mesopotâmia dizem respeito aos épicos de Ziusudra, Gilgamesh e Atrahasis.

No Épico de Ziusudra, o rei de Shuruppak ouviu o conselho divino para destruir a humanidade, no qual ele construiu uma embarcação que navegasse pelas grandes águas.

No de Atrahasis, os deuses Inferiores tinham que trabalhar muito e começaram a reclamar. Aconteceu uma revolta, e iniciaram-se negociações com os grandes deuses. Foi proposto a criação dos humanos para aliviar os deuses inferiores de seu trabalho. Foram criados os humanos, porém, o seu comportamento ruidoso levou a novas queixas dos deuses. Enlil, o deus supremo, decidiu extinguir a humanidade por um grande dilúvio. Atrahasis é avisado em um sonho, e Enki, o deus das águas, explicou o sonho para ele. Atrahasis traiu o plano e construiu uma arca, e embarcou nela. Ocorreu a grande inundação, e os deuses ficaram famintos porque não havia mais fazendeiros para trazerem os sacrifícios. Mesmo tendo sido um rebelde, os deuses decidiram poupar Atrahasis.

No Épico de Gilgamesh, o herói, Gilgamesh, encontra o homem imortal Utnapishtim, que descreve como o deus Ea o instruiu a construir um enorme navio antes de uma grande inundação divina que iria destruir o mundo. A embarcação iria salvar Utnapishtim, sua família, seus amigos e seus animais.

Utnapishtim foi incumbido por Enqui de criar um barco gigante para se defender de um dilúvio que destruiria toda a vida. Trouxe sua esposa, família e parentes, junto com os artesãos de sua aldeia, animais e sementes de grãos. Depois de doze dias na água, Utnapishtim abriu a escotilha do seu barco para olhar em volta e viu as encostas do Monte Nisir. Após ter enviado uma pomba e uma andorinha, que encontraram apenas água e retornaram, Utnapishtim enviou um corvo que viu que as águas tinham recuado e não retornou. Utnapishtim então libertou todos os animais e fez um sacrifício aos deuses. Os deuses vieram, e porque ele tinha preservado a semente do homem ao permanecer leal e confiante de seus deuses, Utnapishtim e sua esposa receberam a imortalidade, bem como um lugar entre os deuses celestiais.

Na mitologia hindu, textos como o Satapatha Brahmana mencionam a história purânica de um grande dilúvio, em que o Matsya, o avatar do deus Vishnu, adverte o primeiro homem, Manu, sobre um dilúvio iminente e também aconselha-o a construir um barco gigante.

Conta-se que Manu fazia seus ritos de purificação, quando um peixe nadou até as suas mãos, que pediu que fosse levado e cuidado. Manu colocou-o em uma jarra. O peixe cresceu muito e foi preciso colocá-lo em um tanque. Passado um dia Manu teve que transferi-lo para um lago. No quarto dia o lago já era pequeno e levaram o peixe para o mar. Como retribuição, o peixe advertiu sobre um dilúvio que aconteceria em breve, e aconselha Manu a construir um barco gigante, e levasse toda sua família para que fossem salvos.

Na narrativa sobre um dilúvio encontrada no Gênesis da Bíblia Hebraica, Deus decide inundar a terra por causa da profundidade do estado pecaminoso da humanidade. O justo (aquele que segue as diretrizes divinas) Noé recebe instruções para construir uma arca. Quando a arca é concluída, Noé, sua família e representantes de todos os animais da Terra são chamados para embarcar. Quando o dilúvio destrutivo começa, toda a vida do lado de fora da arca perece. Após as águas baixarem, todos aqueles a bordo desembarcam e têm a promessa de Deus de que Ele nunca vai julgar a terra com um dilúvio novamente. Ele dá o arco-íris como sinal desta promessa.

Em Timeu, de Platão, por causa da corrida pelo bronze, os seres humanos vinham fazendo guerras constantemente, o que deixou Zeus irritado e fez com que decidisse punir a humanidade com uma inundação. Dirigindo-se à assembleia dos deuses, Zeus expôs as terríveis condições que reinavam na Terra e anunciou que iria destruir todos os homens e criar uma nova raça que fosse mais digna de viver e que soubesse melhor cultuar os deuses. Decidiu então inundar a Terra. O titã Prometeu previu os planos dos deuses e orientou seu filho, Deucalião, que construísse uma arca para sobreviver ao grande desastre.

Torrentes de chuva caíram, mas não satisfeito, Zeus pediu ajuda a seu irmão Poseidon, que soltou os rios e lançou-os sobre a Terra. Sacudia a Terra com um terremoto, e lançou os oceanos sobre as praias. Rebanhos, animais, homens, casas e templos foram tragados pelas águas. De todas as montanhas, apenas a do Parnaso (montanha no centro da Grécia) ultrapassava as águas. Nele, a arca de Deucalião e Pirra, sua esposa, encontrou refúgio. Zeus viu que apenas eles haviam sobrevivido e cessou a tempestade. Poseidon retirou as suas águas. Deucalião e Pirra entraram em um templo ainda coberto de lama e aproximaram-se do altar. Prostaram-se e rogaram à deusa Têmis que os esclarecesse sobre a maneira de agir naquela situação. Deucalião e Pirra velaram o rosto, afrouxaram as vestes, apanharam as pedras e atiraram-nas para trás. As pedras amoleceram e começaram a tomar forma humana. As pedras atiradas pelas mãos de Deucalião tornaram-se homens; pelas mãos de Pirra, tornaram-se mulheres.