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REReflexões
e Espiritualidade
Reflexões·3 min de leitura

Sobre a morte

“Pelo que tenho por mais felizes os que já morreram, mais dos que ainda vivem.”

Eclesiastes 4, 2

 

O tema da morte sempre constituiu um mistério para os homens. Inconscientemente, rejeita-se sua ocorrência, pois imagina-se a continuidade da existência.

O surgimento do Homo sapiens, e das outras linhagens Homo, data de mais de 2 milhões de anos atrás, na África oriental. A descoberta de evidências da existência dos sapiens é de 30 mil anos – o Homo sapiens é a única espécie humana sobrevivente.

A Revolução cognitiva (a capacidade humana de criar realidades imaginadas que aconteceu há 70-30 mil anos) fez com que os sapiens começassem a pensar de uma maneira diferente e passassem a se comunicar usando uma nova linguagem. Os humanos conectaram sons e sinais para produzir um número infinito de frases, cada uma delas com um significado diferente. Foi possível, assim, utilizar, armazenar e comunicar uma quantidade de informação sobre o mundo à volta. Podia-se falar sobre tipos de entidades que nunca foram vistos ou tocados. Lendas, mitos, deuses e religiões apareceram com a Revolução cognitiva.

Arqueólogos descobriram, na Alemanha, o homem-leão de Stadel, o mais antigo artefato esculpido por humanos que se conhece; acredita-se ter cerca de 30 mil anos. O templo de Göbekli Tepe, no sudeste da Turquia (antiga Anatólia), tem quase 12 mil anos e marca a época em que a humanidade iniciava a domesticação e animais e cultivo de plantas. Destacam-se as pedras calcárias, os relevos gravados de raposas, touros, leões, patos, serpentes e humanos.

Provavelmente os humanos tinham, na época, as capacidades físicas e intelectuais que nós temos hoje. Mas como eram suas sociedades? Tinham cerimônias, códigos morais e rituais religiosos? Quais eram os seus deuses? As religiões que se conhece hoje, tanto as do ocidente como as orientais, datam de aproximadamente 1700 a.C., dezenas de anos depois da descoberta das evidências da existência dos humanos “sábios”. Nos primórdios havia alguma crença em divindades? Eles foram para o céu ou para o inferno, conforme as religiões monoteístas ocidentais atuais? Ou reencarnaram, conforme as doutrinas orientais? Nasceram condenados pelo pecado natural de Adão e Eva, segundo a tradição judaico-cristã? As religiões foram invenções humanas?

Morrer parece ser um processo existencial que inclui uma transformação da percepção, transcendendo assim as necessidades conscientes. O ego não é capaz de lutar contra o destino certo. Morrer parece ser um processo existencial incluindo uma transformação da percepção transcendendo assim as necessidades conscientes. Segundo “O livro das religiões”, de Victor Hellern, Henry Notaker e Jostein Gaarder, as questões da nossa existência formam a base das religiões. A morte deve ser considerada uma questão cultural, e não religiosa, apesar de estar associada ao horror e ao medo. No México, por exemplo, principalmente por influência da cultura dos povos pré-colombianos (astecas), comemora-se o dia dos mortos, uma festa de integração entre os que foram e os que ficaram – comunhão de todas as coisas.

No cristianismo, a morte deve ser vista como uma punição da existência e se faz uso da morte mediante o sermão, a confissão, a comunhão e a extrema-unção; as orações pedindo proteção contra um fim repentino. O bramanismo ensina o homem a ver-se como o próprio ser primordial, essencialmente alheio a todo nascimento e a todo o perecimento. Um medo realista, como o medo da morte, não pode ser amenizado nem eliminado; é a ansiedade antecipatória.