Sua privacidade

A navegação só continua depois que você escolher uma das opções acima.

REReflexões
e Espiritualidade
Reflexões·4 min de leitura

Locais pré-históricos onde encontraram prováveis templos, sinal da crença em deuses – Stonehenge, Hagar Qim e Jibal-Al-Jashahieh

Capa do texto “Locais pré-históricos onde encontraram prováveis templos, sinal da crença em deuses – Stonehenge, Hagar Qim e Jibal-Al-Jashahieh”

Stonehenge, planície de Salisbury, Wiltshire, Inglaterra, aproximadamente 3000 a 1600 a.C.

Locais pré-históricos onde encontraram prováveis templos, sinal da crença em deuses – Stonehenge, Hagar Qim e Jibal-Al-Jashahieh

Stonehenge

Os antepassados da civilização que construiu Stonehenge – monumento do Período Neolítico (8000 a.C. a 5000 a.C.) localizado no interior da Inglaterra – teriam viajado pelo Mediterrâneo, da Anatólia (atual Turquia) até chegar à Grã-Bretanha por volta de 5000 a.C. Antes disso, a Europa era povoada por pequenos grupos nômades que caçavam animais e colhiam plantas silvestres.

Além da agricultura, os migrantes neolíticos introduziram a tradição de construir monumentos usando grandes pedras (megalitos, que chegam a ter 5 metros de altura e a pesar 50 toneladas). Há também evidências da existência de caçadores-coletores britânicos; o “Homem de Cheddar” é um dos britânicos mais antigos de que se tem registro, cujos restos mortais datam de 7100 a.C.

Stonehenge, localizado na planície de Salisbury, no condado de Wiltshire, próximo a Londres, é um dos principais monumentos arquitetônicos da fase final da Pré-História, quando os grupos humanos passaram a praticar a agricultura, criando uma série de ferramentas com novos materiais e novas técnicas.

Pelos estudos realizados, percebe-se que o local servia para determinar o ciclo agrícola, o solstício (as duas datas do ano em que o Sol atinge o maior grau de afastamento angular do equador, no seu aparente movimento no céu) e equinócio, ambos eventos celestes que anunciam as mudanças de estação. O alinhamento astronômico sob a pedra principal de Stonehenge se dá precisamente no dia 21 de junho: o Sol nasce em perfeita exatidão sob a pedra principal. Há sofisticação da matemática e da engenharia na construção do monumento.

Também há indícios de que o local era utilizado para a realização de rituais religiosos, evidenciando a união que existe na humanidade entre os conhecimentos astronômicos e o domínio religioso. No núcleo há uma espécie de altar, formado por bancos de pedras. Acredita-se que as cerimônias religiosas realizadas no local faziam sacrifícios e rituais destinados à adoração da divindade solar e à busca de cura para as doenças.

Hagar Qim

Hagar Qim (significa “pedras erguidas” em maltês) é um dos mais importantes complexos megalíticos da ilha de Malta, localizado próximo à vila de Qrendi, na costa sul da ilha principal. O sítio data aproximadamente de 3600 a 3200 a.C.

Construído com enormes blocos de calcário, alguns pesando mais de 20 toneladas, o templo de Hagar Qim foi erguido sem o uso de metal, mostrando o alto nível técnico e simbólico da civilização neolítica que habitava o arquipélago. O complexo é composto por múltiplas câmaras em forma de trevo, com entradas monumentais e altares esculpidos. Há também orifícios e alinhamentos astronômicos: no solstício de verão, por exemplo, os raios solares penetram por uma abertura e iluminam uma laje específica, indicando uma possível função ritual ligada ao ciclo solar e à fertilidade.

Diversas estatuetas femininas foram encontradas no local – figuras robustas de pedra ou argila conhecidas como “Vênus de Malta” ou “deusas-mãe” –, sugerindo que o culto associado ao templo tinha relação com a fertilidade da terra e a regeneração da vida. A iconografia dessas figuras, juntamente com o simbolismo solar e a disposição dos espaços, aponta para um sistema religioso centrado na natureza e na fecundidade.

Jibal Al-Jashabieh

Jibal Al-Jashabieh é uma região montanhosa localizada no norte da Jordânia, próxima à fronteira com a Síria, dentro da vasta área desértica conhecida como Badia. O terreno é caracterizado por formações rochosas escuras e colinas de origem vulcânica, compostas principalmente de basalto. O lugar guarda vestígios importantes de ocupações humanas antigas e constitui um ponto de grande interesse arqueológico e histórico.

Diversas escavações e levantamentos realizados por arqueólogos revelaram que a região foi habitada desde o período Neolítico, entre 7000 e 5000 a.C., por comunidades de pastores e caçadores nômades. Espalhados pelas colinas basálticas encontram-se restos de construções de pedra, túmulos e enclosures que testemunham modos de vida baseados na adaptação ao ambiente desértico. Entre os achados mais notáveis estão os chamados “kites do deserto”, estruturas formadas por longos muros convergentes que terminam em recintos circulares. Esses complexos, visíveis principalmente do ar, parecem ter sido utilizados para conduzir e capturar grandes grupos de animais selvagens, como gazelas, representando uma das primeiras formas organizadas de caça coletiva no deserto.

Além das armadilhas de caça, há inúmeros túmulos de pedra, conhecidos como cairns, e pequenas construções circulares que podem ter servido como abrigos temporários ou santuários. No local há um altar e duas estelas com figuras humanas, uma delas com 1,12 metros de altura. Provavelmente ali eram realizados rituais em agradecimento à caça de gazelas.