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REReflexões
e Espiritualidade
Judaismo e Cristianismo·Bíblia·2 min de leitura

A figura de satã

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A figura de satã

A figura de satã, cujo nome em hebraico significa “adversário” ou “acusador”, concentra simbolicamente a ação do mal, em oposição a Deus, que representa o bem. Essa concepção se desenvolve teologicamente ao longo do tempo e aparece de forma clara no Novo Testamento.

No Antigo Testamento, Satã surge inicialmente em Jó 1 e 2 como um membro da corte celestial, atuando como acusador legal e não como inimigo de Deus, função que também desempenha em Zacarias 3, onde acusa o sumo sacerdote Josué diante de Deus, ainda dentro do sistema celestial e sem caráter rebelde.

Com o tempo, especialmente no período persa e helenístico, a figura de satã evolui: em Daniel 10 a 12, embora o nome satã não seja utilizado, aparece a ideia de um conflito cósmico entre forças espirituais, como o “príncipe da Pérsia” em oposição ao arcanjo Miguel, defensor de Israel.

Já no período intertestamentário, na literatura apocalíptica judaica como 1 Enoque, satã passa a ser associado a figuras rebeldes como Azazel e Semjaza, consolidando a ideia de uma rebelião celestial e preparando o terreno para a visão de um juízo final no qual o mal será definitivamente vencido.

No Novo Testamento, satã é retratado como tentador e opositor direto: nos Evangelhos, tenta Jesus no deserto (Mateus 4; Lucas 4), é chamado de “o maligno”, “o tentador” e “príncipe deste mundo”, sendo confrontado diretamente pelo poder de Jesus que expulsa demônios e anuncia o Reino de Deus.

Nas epístolas, Paulo o chama de “o deus deste século” (2 Coríntios 4, 4) e Pedro o descreve como “o inimigo que anda ao redor como leão que ruge” (1 Pedro 5, 8).

Finalmente, no Apocalipse (capítulos 12 e 20), Satã é plenamente identificado como o inimigo final: “o grande dragão, a antiga serpente, chamada diabo e satanás, que engana o mundo inteiro”. Ele tenta destruir o filho da mulher, é derrotado por Miguel e seus anjos, expulso do céu, preso por um tempo e, ao fim, lançado no lago de fogo.

Assim, a figura de satã evolui de um acusador celestial em Jó, para uma força espiritual hostil em Daniel, depois como líder da rebelião contra Deus na literatura apocalíptica judaica, até se tornar o grande inimigo escatológico no Apocalipse.

Esse desenvolvimento reflete transformações na teologia judaica e cristã, marcadas pelo contato com o dualismo persa, por crises históricas como o exílio babilônico e pela crescente esperança de um juízo final.